Todos temos a mesma meta

Este spot español (legendas automáticas em português) mostra claramente o impacto da não divisão de tarefas e como isto compromete a saúde e a vida da mulher.

Tomar consciência é o primeiro passo para a igualdade de gênero.

Quais são os problemas que você vê neste vídeo e o que você faria diferente se você fosse protagonista deste spot?

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SPOT “IMAGINA TU META”:
• Editou e produziu: Farmamundi.
• Direção e realização: Maribel Rangel Caballo. Malévola Films.
• Atores: Cristina Rosa e Simón Ferrero.
• Financiado por: Agencia Extremeña de Cooperación Internacional para el Desarrollo (AEXCID).
• Colaborou: Asociación Extremeña de Comunicación Social (AECOS).

Por que ser mãe|pai não é considerado trabalho?

Quando perguntamos às pessoas se colocariam que são mães|pais no CV, a maioria respondeu que isso não é um trabalho.

De fato, foi comparado com o estado civil (se não coloco que sou casadx por que colocar que sou mãe|pai?), como hobbies ou outras atividades.

Embora as práticas parentais sejam significativamente diferentes de cultura para cultura, as tarefas estruturais surgidas na relação pais|mães e filhos são semelhantes: assegurar a sobrevivência e o desenvolvimento da criança, ou resumidamente: cuidar da criança.

Ser pai|mãe é ser cuidadorx. Ser cuidadorx não é um tipo de trabalho?

Afinal, o que é considerado trabalho em nossa sociedade?

…a babá que cuida de crianças, não está trabalhando?

…a professora que cuida das crianças, não está trabalhando?

…o pai, a mãe que cuida das crianças, não está trabalhando?

…todo trabalho é remunerado?

…as atividades não remuneradas têm impacto na sociedade ou na economia?

Sim, o cuidado das crianças é trabalho e para mães e pais é trabalho não remunerado.

E tem grande impacto na economia:

O valor do trabalho de cozinhar, limpar, cuidar de de crianças e dar atenção a pessoas idosas, representa entre 10 e 39% do PIB dos países, de acordo a ONU Mulheres.
Pode pesar mais na economia de um país do que pesam a indústria manufatureira ou a do comércio.

O trabalho de cuidado não remunerado e o trabalho doméstico suprem carências em matéria de serviços públicos e infraestrutura, e são realizados majoritariamente por mulheres.

E tem grande impacto na sociedade:

75% de todo o trabalho não remunerado (cuidado de crianças e da casa) é assumido apenas pelas mulheres, de acordo a empresa de consultoria McKinsey.

É uma barreira para o avanço na igualdade de participação no mercado de trabalho e na igualdade de remuneração.

Esta sobrecarga é o fator que mais compromete projeção profissional da mulher, apesar dos avances em educação e empregabilidade, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Então, o que você pode fazer para mudar isto hoje?

Vamos começar tornando visível este trabalho.

Vem fazer parte deste movimento e inclua a maternidade no seu perfil profissional.

Como?
Pensamos algumas dicas para te ajudar a tornar a Maternidade Visível


Fontes: Fundação Cecilia Souto Vidigal. ONU Mulheres. Banco Mundial. OECD. ILO. McKinsey.

Dia das mães: como passou de uma comemoração do poder transformador das mulheres mães na sociedade para se tornar uma data meramente comercial

Você conhece a origem desta comemoração que hoje representa a segunda maior data em termos de faturamento em vendas no varejo, perdendo para o Natal, com expectativas de movimentar R$ 11,2 bilhões?

O Dia das Mães completa 111 anos este ano, e é conhecido principalmente como um dia para presentes, cartões e manifestações gerais de amor e apreço.

Mas esta comemoração tem raízes mais nobres: foi fundado por mulheres em luta/o.

Segundo a historiadora Katharine Antolini, do Colégio Wesleyan da Virgínia Ocidental, tudo começou na década de 1850, quando a líder feminista Ann Reeves Jarvis – mãe de Anna – organizou clubes de trabalho para melhorar as condições sanitárias e tentar diminuir a mortalidade infantil combatendo doenças e evitando a contaminação do leite. Estes grupos também cuidavam de soldados feridos de ambos os lados durante a Guerra Civil dos EUA de 1861 a 1865.

Nos anos do pós-guerra, Jarvis e outras mulheres organizaram eventos no Dia da Amizade da Mãe como estratégias pacifistas para unir antigos inimigos. Julia Ward Howe, por outro lado – mais conhecida como o compositora do “O Hino de Batalha da República” – emitiu uma “Proclamação do Dia das Mães” amplamente lida em 1870, chamando as mulheres para assumir um papel político ativo na promoção da paz.

Mas foi sua filha Anna Jarvis quem mais se responsabilizou pelo que chamamos de Dia das Mães – e quem passaria a maior parte de sua vida posterior lutando contra o que havia se tornado.


Anna (a filha) nunca teve filhos, mas a morte de sua própria mãe, em 1905, inspirou-a a organizar as primeiras celebrações do Dia das Mães em 1908.

Em 10 de maio daquele ano, as famílias se reuniram em eventos na cidade natal de Jarvis, Grafton, Virgínia Ocidental – em uma igreja agora renomeada como o Dia Internacional das Mães -, bem como na Filadélfia, onde Jarvis viveu na época e em várias outras cidades.

Em grande parte através dos esforços de Jarvis, o dia das mães passou a ser observado em um número crescente de cidades e estados até que o presidente americano, Woodrow Wilson, separou oficialmente o segundo domingo de maio de 1914 para o feriado.

A data foi trazida ao Brasil pelo então Secretário-geral da Associação Cristã de Moços do Rio Grande do Sul (ACM-RS), Frank Long.

A primeira celebração no país ocorreu em 12 de maio de 1918, em Porto Alegre.

Aos poucos, a festividade foi se espalhando pelo país e, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas, a pedido das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, oficializou a data no segundo domingo de maio.

A iniciativa fazia parte da estratégia feministas de valorizar a importância das mulheres na sociedade, animadas com as perspectivas que se abriram a partir da conquista do direito de votar, em fevereiro do mesmo ano.


Recuperemos o verdadeiro valor deste dia promovendo ações concretas e sustentáveis que amplifiquem o poder transformador das mulheres mães.

Vamos começar tornando visível o peso que significa o trabalho do cuidado do filhos e da casa.

Por não ser reconhecido, remunerado, medido, visível não é levado em conta em políticas públicas nem privadas.

No Brasil:

84% das crianças com menos de 4 anos tem como principal responsável a mãe.

90% dos afazeres domésticos são feitos pela mulher.

Ambos, trabalhos full-time, não remunerados, e que se tivesse um valor monetário, representaria entre 10% a 39% do PIB, sobrecarregam a mulher e as limitam para alcançar seu potencial profissional.

A pesquisa WomenintheWorkplace comprovou que apenas 34% das mulheres que assumem a totalidade da responsabilidade doméstica tem aspirações de de alcançar posições de liderança.

Ser mãe penaliza na projeção de carreira, na empregabilidade e no salário, e conversaremos sobre isso em outro artigo.

A maternidade e paternidade é um trabalho full-time e precisa ser reconhecido como tal.

Qual ação concreta você vai hoje tomar para presentear uma mãe?

Fonte: Fecomercio, National Geographic, Wikipedia, BBC, IBGE, ONU Mulheres, LeanIN&McKinsey.

“Como 10 anos “em casa” me tornaram uma melhor líder no Google”

Qual é o real valor do tempo “em casa”?

A executiva do Google e mãe de três filhos, Martha Ivester compartilha o que aprendeu sobre o valor do seus 10 anos como mãe e dona de casa e como este tempo impactou positivamente na sua carreira.

Depois de 10 anos “em casa”, e com 44 anos, ela retornou ao mercado de trabalho em uma posição full-time e sendo a única mãe trabalhando na empresa.

Após finalizada sua trajetória nessa empresa e antes de partir para o Google, no seu último dia, sua equipe preparou um presente de despedida especial: um quadro reunindo notas de agradecimento de cada um dos membros da equipe, no qual mencionavam especificamente como o trabalho dela influenciou na vida deles e na própria empresa, a seguir alguns exemplos:

  • Ela ajudou a mudar a cultura da empresa, especialmente na percepção sobre as mães que trabalham, mostrando um caminho que pensavam não ser sustentável: ter uma mãe trabalhando full-time em uma indústria predominantemente masculina.
  • Contribuiu no empoderamento das mulheres, mostrando que sim é possível ser líder sendo mulher, impulsionadas pelas qualidades que as diferenciam.

Ela apresenta como o tempo investido na pausa maternidade é bom para o futuro dos filhos e também para os negócios.

Quais são os estereótipos sobre a mãe que sai do mercado laboral para dedicar-se aos filhos?

  • Que não são motivadas
  • Que não tem capacidade de execução
  • Não tem ambição profissional

Após uma vida profissional de sucesso atendendo grandes empresas como Nike, Microsoft, HP, ela decide sair no mercado laboral e se dedicar plenamente a maternidade.

Mas, logo de um tempo, ela sentiu falta da sua carreira e queria voltar.
E ao mesmo tempo, queria ser o exemplo para suas filhas de que poderiam ser o que elas quisessem, motivá-las a correr atrás da carreira que desejassem e mostrar que é possível conciliar carreira e família.

Ela apresenta dados sobre a realidade das mulheres nos Estados Unidos, uma realidade que não é tão diferente da nossa:

A realidade mostra que 80% das mulheres são mães até os 40 anos.

E 71% das mães trabalham fora de casa, e cada vez mais são a principal fonte de renda da família.

Mesmo assim, grande parte das mulheres saem do mercado após os filhos e durante o bom tempo: 1 em cada 3 passam em média 3 anos “em casa” cuidando dos filhos.

Ela compartilha como vivências familiares fortaleceram habilidades que a tornam mais valiosa no mercado de trabalho.

Habilidades que para a mãe que está em casa, são exercitadas 24hs por dia e 7dias por semana.

Entre as habilidades (soft-skills) destacadas, menciona:

  • Ser resolutiva
  • Comunicar assertivamente
  • Ser empoderada
  • Empatia
  • Compartilhar visão
  • Inspirar
  • Planejamento do tempo
  • Organização
  • Flexibilidade
  • Relacionamento inter-pessoal

Adicionalmente, relata como a maternidade mudou sua perspectiva em relação a sua relevância e ambição e seu impacto para motivar mulheres e demonstrar que é possível continuar competitiva mesmo cuidado dos filhos.

A maternidade a tornou uma funcionária melhor, uma gestora mais eficiente e principalmente uma líder.

Para finalizar, ela compartilha dois estudos realizados pelo Google sobre habilidades que definem gestores de sucesso e características de equipes eficientes.

Identificaram os 8 comportamentos chave para gestores de sucesso, sendo eles, os mais importantes os seguintes soft-skills:

  • Empatia
  • Comunicação
  • Empoderamento
  • Bem-estar

Parecem familiares?
Sim, todos exercitados durante a maternidade.

Ao estudar as características de equipes altamente eficientes, identificaram que:

Bem-estar psicológico

É o fator mais importante.
Isto descreve um clima organizacional que transmite confiança e respeito mutuo permitindo assumir riscos, sem se sentir julgado.

Somado a: Estrutura e claridade, Propósito, Impacto

Este perfil de equipes, são:

  • mais leais a empresa, contam com índices de retenção maior
  • mais propensos a aceitar diversidade de opiniões
  • trazem mais receita

Como isto afeta as mães que estão “em casa”?

O que as mães que ficam em casa fazem durante o dia?

Não é garantir o clima de bem-estar psicológico, oferecer estrutura e claridade para seus filhos, ajudar a interpretar o mundo, encontrar significados e caminhos para se diferenciar?

As habilidades chave para o sucesso na gestão e para equipes altamente eficientes são aqueles que as mães exercitam diariamente.

Ser mãe é acordar todos os dias pensando em como o trabalho que vou fazer hoje vai ter o maior impacto em tornar meus filhos os melhores seres humanos. Como encorajar bons comportamentos e motivá-los para que se sintam confiantes para assumir riscos e tomarem decisões inteligentes na vida.

Porém, a verdade é que existe uma penalização da maternidade no salário da mulher que passa pela pausa maternidade. E é difícil de recuperar.

De acordo a um estudo da Universidade de Massachusetts, esta penalização é de 4% por filho.

Ao mesmo tempo, para o homem, o salário, de fato aumenta (Bônus Paternidade) no mínimo 6%.

A Universidade de Massachusetts, demonstrou que empregadores valorizam mais os pais, desfavorecendo as mães.

Entre 35 e 40 anos, é faixa etária na qual os profissionais alcançam o maior desempenho e maior remuneração e é o período mais atravessado pela maternidade para a maioria das mulheres.

E voltar é uma batalha.

90% das mulheres que saíram do mercado para cuidar dos filhos desejam voltar, porém, menos da metade consegue retornar em posições full-time que atendam suas expectativas.

As pessoas pensam que quem estendeu a pausa maternidade escolheu abandonar a carreira. Mas, na verdade, é um período de desenvolvimento de habilidades que tornam a mulher mais valiosa no mercado de trabalho, segundo o estudo do Google.

O cuidado dos filhos ensinam sobre compaixão, motivação para enfrentar adversidades, e como se posicionar.

Estar presente na rotina dos filhos nos permite também “re-calibrar” o que a próxima geração de homens pensa sobre o que é normal e as oportunidades para fazer as maiores diferenças no futuro da mulher.

Começa aqui, com nosso exemplo e com nossos filhos.

Contrate mais mães e impulsione os resultados da sua empresa.

Sobre a Martha Ivester: ela trabalhou para algumas das marcas líderes mundiais em tecnologia, entretenimento e esportes, incluindo Google, a Creative Artists Agency (CAA), a Nike, a Microsoft e muito mais. Depois de uma década como mãe e dona de casa, Martha voltou a trabalhar na indústria da música antes de ingressar no Google em 2015.

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Empresas: Criação de valor econômico por meio da criação de valor social

Necessidades sociais, e não só necessidades econômicas convencionais definem o mercado.

Michael Porter, Mark Kramer. HBR, Jan 2011


Neste artigo publicado no Harvard Business Review,  Porter e Kramer explicam a atual decadência do mercado capitalista, na qual grande parte do problema está na abordagem de geração de valor já ultrapassada.

Esta abordagem, baseada no desempenho financeiro a curto prazo, pressão por resultados rápidos, traz como resultado a estratégia por aumento do consumo que considerando a crescente concorrência, leva a disputa por preços e em consequência: comoditização, pouca inovação de verdade, crescimento orgânico lento e nenhuma vantagem competitiva.

Por outro lado, esta estratégia exclui considerações sociais e ambientais de seu raciocínio econômico. As comunidades nas quais a empresa opera sentem que o lucro é a sua custa.

Assim, os interesses das empresas divergem cada vez mais dos interesses da sociedade, levando a inevitável perda de legitimidade corporativa, que nem estratégias de responsabilidade social supérfluas conseguem reverter.

Os autores indicam que a solução a esta problemática esta no principio de valor compartilhado, o que significa, criar valor econômico por meio da criação de valor social.

Este conceito reconhece que as necessidades da sociedade e não só as necessidades econômicas, convencionais definem o mercado. Reconhece ainda, que as deficiências sociais criam custos internos a empresa.

A partir de fortalecer o elo entre sociedade e empresa, esta entenderá melhor as necessidades e demandas da sociedade associada a seus produtos, abrindo campo de exploração de novas oportunidades de diferenciação, reposicionamento de mercado, potencializando a real inovação.

Entre os exemplos, os autores citam o impacto na produtividade do trabalhador, como a mudança de cultura organizacional com foco no bem-estar do trabalhador traz um incremento na produtividade e redução de custos.

Para concluir:

A oportunidade de gerar valor econômico através da criação de valor social será uma das mais poderosas forças motrizes do crescimento econômico mundial. Essa ideia representa uma nova forma de entender clientes, produtividade e influências externas sobre o sucesso da empresa. Põe em relevo as enormes necessidades humanas a serem satisfeitas, os grandes e novos mercados a servir e os custos internos de déficits sociais e comunitários — bem como vantagens competitivas a serem obtidas com seu enfrentamento.

Compartilhamos esta visão que reforça o momentum para impulsionar o desenvolvimento de um novo modelo de mercado verdadeiramente inclusivo.

Fonte: Harvard Business Review

“Nova masculinidade” virá por meio de uma paternidade diferente, afirma antropólogo.

O desafio deste século deve ser construir um novo modelo social, mais social, mais democrático, justo e igualitário, e para isso, é fundamental que os homens estejam cada vez mais dispostos a questionar o modelo tradicional de masculinidade, a renunciar aos privilégios que recebem do sistema patriarcal, a se libertar do peso de uma masculinidade mal entendida e a se comprometer, junto com as mulheres, de maneira ativa, na realização de um mundo melhor para todas as pessoas, que permita melhorar as possibilidades do desenvolvimento humano

Ritxar Bacete, antropólogo, 2011


A antropólogo, afirma que a paternidade ativa pode ser uma oportunidade transformadora para construir as bases de uma sociedade mais igualitária.

Compartilhando sua própria experiência, comum hoje em dia, onde o prototipo masculino é determinado pela força, e as crianças são educadas para não sentir empatia. Neste ambiente, ser participe na criação de sua filha foi transformador. Em suas palavras:

“..se pode criar uma masculinidade transformadora. A criação de uma criança é uma oportunidade. É tomar um espaço onde estamos mais suaves.”

Nos inspira ver pais engajados no dia a dia da rotina de seus filhos, dividindo as tarefas domésticas e exercendo a parentalidade.

Acreditamos que este é o caminho para uma sociedade mais igualitária: cuidando juntos, abrimos o espaço para que ambos, mães e pais possam ter espaços igualitários de desenvolvimento profissional e as crianças serem mais livres, os meninos podem modelar figuras de barro com liberdade e as meninas podem sonhar em serem prefeitas.

Fonte: El Pais