Dia das mães: como passou de uma comemoração do poder transformador das mulheres mães na sociedade para se tornar uma data meramente comercial

Você conhece a origem desta comemoração que hoje representa a segunda maior data em termos de faturamento em vendas no varejo, perdendo para o Natal, com expectativas de movimentar R$ 11,2 bilhões?

O Dia das Mães completa 111 anos este ano, e é conhecido principalmente como um dia para presentes, cartões e manifestações gerais de amor e apreço.

Mas esta comemoração tem raízes mais nobres: foi fundado por mulheres em luta/o.

Segundo a historiadora Katharine Antolini, do Colégio Wesleyan da Virgínia Ocidental, tudo começou na década de 1850, quando a líder feminista Ann Reeves Jarvis – mãe de Anna – organizou clubes de trabalho para melhorar as condições sanitárias e tentar diminuir a mortalidade infantil combatendo doenças e evitando a contaminação do leite. Estes grupos também cuidavam de soldados feridos de ambos os lados durante a Guerra Civil dos EUA de 1861 a 1865.

Nos anos do pós-guerra, Jarvis e outras mulheres organizaram eventos no Dia da Amizade da Mãe como estratégias pacifistas para unir antigos inimigos. Julia Ward Howe, por outro lado – mais conhecida como o compositora do “O Hino de Batalha da República” – emitiu uma “Proclamação do Dia das Mães” amplamente lida em 1870, chamando as mulheres para assumir um papel político ativo na promoção da paz.

Mas foi sua filha Anna Jarvis quem mais se responsabilizou pelo que chamamos de Dia das Mães – e quem passaria a maior parte de sua vida posterior lutando contra o que havia se tornado.


Anna (a filha) nunca teve filhos, mas a morte de sua própria mãe, em 1905, inspirou-a a organizar as primeiras celebrações do Dia das Mães em 1908.

Em 10 de maio daquele ano, as famílias se reuniram em eventos na cidade natal de Jarvis, Grafton, Virgínia Ocidental – em uma igreja agora renomeada como o Dia Internacional das Mães -, bem como na Filadélfia, onde Jarvis viveu na época e em várias outras cidades.

Em grande parte através dos esforços de Jarvis, o dia das mães passou a ser observado em um número crescente de cidades e estados até que o presidente americano, Woodrow Wilson, separou oficialmente o segundo domingo de maio de 1914 para o feriado.

A data foi trazida ao Brasil pelo então Secretário-geral da Associação Cristã de Moços do Rio Grande do Sul (ACM-RS), Frank Long.

A primeira celebração no país ocorreu em 12 de maio de 1918, em Porto Alegre.

Aos poucos, a festividade foi se espalhando pelo país e, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas, a pedido das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, oficializou a data no segundo domingo de maio.

A iniciativa fazia parte da estratégia feministas de valorizar a importância das mulheres na sociedade, animadas com as perspectivas que se abriram a partir da conquista do direito de votar, em fevereiro do mesmo ano.


Recuperemos o verdadeiro valor deste dia promovendo ações concretas e sustentáveis que amplifiquem o poder transformador das mulheres mães.

Vamos começar tornando visível o peso que significa o trabalho do cuidado do filhos e da casa.

Por não ser reconhecido, remunerado, medido, visível não é levado em conta em políticas públicas nem privadas.

No Brasil:

84% das crianças com menos de 4 anos tem como principal responsável a mãe.

90% dos afazeres domésticos são feitos pela mulher.

Ambos, trabalhos full-time, não remunerados, e que se tivesse um valor monetário, representaria entre 10% a 39% do PIB, sobrecarregam a mulher e as limitam para alcançar seu potencial profissional.

A pesquisa WomenintheWorkplace comprovou que apenas 34% das mulheres que assumem a totalidade da responsabilidade doméstica tem aspirações de de alcançar posições de liderança.

Ser mãe penaliza na projeção de carreira, na empregabilidade e no salário, e conversaremos sobre isso em outro artigo.

A maternidade e paternidade é um trabalho full-time e precisa ser reconhecido como tal.

Qual ação concreta você vai hoje tomar para presentear uma mãe?

Fonte: Fecomercio, National Geographic, Wikipedia, BBC, IBGE, ONU Mulheres, LeanIN&McKinsey.

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