“CEO bem-sucedida e mãe de 6. Foi assim que a maternidade me transformou em uma líder melhor”

As habilidades de Maria Colacurcio incluem enfrentar situações difíceis, ser imperturbável sob estresse e ser coach – e nenhuma delas foi conquistada em um emprego.


“Eu cofundei uma empresa de software (agora bem-sucedida) e de capital aberto.
Mas nem sempre foi assim.

Os primeiros dias foram pesados, e duraram muito mais do que qualquer um de nós esperava.
Quando a empresa alcançou ritmo, eu tive meus filhos (cinco deles na época) e tirei um tempo, quando ainda eram pequenos.

Durante esse período, assim como a maioria dos empreendedores, eu estava formando seguidores para a empresa no Twitter, lançando nosso produto como um dos primeiros 50 no App Marketplace do Google e trabalhando com clientes.

Eu fazia o que fosse necessário, no tempo que tinha.

Qualquer tarefa, grande ou pequena, era realizada durante as sonecas das crianças ou depois delas dormirem, ou em alguma hora entre esses momentos.

Mas meu trabalho oficial, em tempo integral, era o desenvolvimento físico e emocional destes pequenos, mas em rápido crescimento, seres humanos.

Quando as crianças começaram a escola, decidi voltar ao mercado de trabalho.

Foi um duro despertar.

Quarenta e um por cento dos norte-americanos empregados (homens e mulheres) percebem as mães trabalhadoras como menos dedicadas ao seu trabalho, de acordo com uma pesquisa recente da Bright Horizons.

Uma triste realidade é que, uma vez que as mulheres têm filhos, elas ficam para trás em remuneração e nunca se recuperam da chamada – penalidade da maternidade – enquanto homens que têm filhos realmente atingem melhores resultados com o tempo.

Embora as mães trabalhadoras tenham obtido ganhos sólidos em experiência e educação – as mulheres superam os homens na educação superior e além -, a diferença salarial quase não se alterou em 30 anos.

Outros explicam esta lacuna como um produto de “escolhas”, dizendo que as mulheres escolhem campos que ganham menos (enfermeiros x médicos, comissária de bordo versus piloto, e assim por diante).

Mas com o tempo isso mudou.

No início dos anos 90, as mulheres começaram a ultrapassar os homens na faculdade, depois na faculdade de direito e na escola de medicina e além.
E, no entanto, à medida que as mulheres entravam nesses campos mais lucrativos, as pesquisas mostravam duas coisas: o pagamento por esses empregos diminuía e as horas necessárias para o sucesso aumentavam.

Isso levanta uma questão importante a ser respondida em outro dia:
valorizamos menos o trabalho das mulheres?

Fazendo um pivô significativo da experiência para as habilidades

Apesar desses fatos, fiquei imaginando se conseguiria posicionar meu tempo em casa, não como um assunto a ser evitado, mas como um ativo.

Quando refleti sobre minha carreira, acredito que evoluí por causa da maternidade.
Eu me tornei uma máquina de eficiência.
Eu me levantava às 4 da manhã todos os dias para me exercitar.
Café da manhã, almoço e jantar eram uma obra-prima da linha de montagem.
Eu sabia como lidar com situações difíceis. Eu era imperturbável sob estresse. Eu havia desenvolvido habilidades de coaching, motivação.

A lista continua.

Embora eu estivesse trabalhando o tempo todo, nos bastidores, ainda havia uma lacuna na seção “profissional” do meu currículo.

Então eu fiz um pivô.

Eu acrescentei isso ao meu currículo:
“Gerente de projeto / líder responsável por quase todos os aspectos de criação de pessoas pequenas”,
com um parágrafo acompanhando a lista de tarefas cumpridas e as habilidades desenvolvidas.
Eu percebi, por que não? O que eu tenho a perder? Além disso, era verdade.

Eu me dirigia ao meu título de gerente de projetos de maternidade nas entrevistas em que participava.
Falei do que aprendi com a criação de filhos e as semelhanças entre o jogo de cintura utilizada na negociação positiva entre irmãos e a sala da diretoria corporativa.

E então algo notável aconteceu.

Me deparei com um gerente de contratação que, em vez de ser um dos 41% que acreditavam que as mães eram menos dedicadas no trabalho, me cumprimentou com curiosidade e interesse.

Ele viu minha experiência em casa não como uma penalidade ou um vazio profissional, mas como um ativo e o ambiente no qual desenvolvi estas habilidades, relevante para a posição que ele tinha aberto.

Eu estava de volta ao mercado de trabalho.


E você, já fortaleceu seu perfil profissional com as habilidades exercitadas diariamente na rotina com os filhos?
Vem, temos algumas dicas aqui.


Vamos encarar o assunto de frente:
a maioria das pessoas não falha porque lhes falta experiência, mas porque carecem das habilidades necessárias para navegar em um ambiente complexo, ou lidar com um conjunto de personalidades diversas ou não contam com as habilidades para trabalhar colaborativamente com os outros.

O “como” de fazer o trabalho pode ser tão importante quanto o próprio trabalho.

Na maioria dos empregos, as habilidades superam a experiência.

A tecnologia e a inovação podem ajudar nisso, mas como os líderes podem começar a pensar (e agir) de maneira diferente sobre a maternidade e o trabalho?

Quando empresas se comprometem com práticas de contratação baseadas em habilidades, acompanhar estas práticas com remuneração igualitária e transparência é fundamental.

Estudos mostram que a percepção dos funcionários quanto à justiça e à transparência nas remunerações tem um impacto cinco vezes maior no engajamento do que a remuneração real.

Em outras palavras, o modo como os funcionários se sentem em relação ao processo de remuneração é mais crítico para sua satisfação no trabalho do que o salário relativo ao mercado.

Por outro lado, quando a liderança evita realizar qualquer esforço para lidar com as diferenças salariais, a confiança é corroída, especialmente entre as mulheres.

Então, o que tudo isso significa?
Empresas que se concentram em habilidades, em vez de experiências laborais prévias, oferecem às mães que trabalham uma oportunidade de se re-alocar no mercado de trabalho de forma mais apropriada e ao garantir uma remuneração justa e transparente, atrairão e reterão talentos sentados nos bastidores.”


E você, já fortaleceu seu perfil profissional com as habilidades exercitadas diariamente na rotina com os filhos?
Vem, temos algumas dicas aqui.


Maria Colacurcio é a CEO da Syndio, uma empresa de análise de RH, focada em promover a justiça no local de trabalho por meio de aplicativos que capacitam as organizações modernas a contratar, promover e, principalmente, pagar pessoas de forma justa.

Fonte: Fast Company

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