Qual é o real valor do tempo “em casa”?
A executiva do Google e mãe de três filhos, Martha Ivester compartilha o que aprendeu sobre o valor do seus 10 anos como mãe e dona de casa e como este tempo impactou positivamente na sua carreira.
Depois de 10 anos “em casa”, e com 44 anos, ela retornou ao mercado de trabalho em uma posição full-time e sendo a única mãe trabalhando na empresa.
Após finalizada sua trajetória nessa empresa e antes de partir para o Google, no seu último dia, sua equipe preparou um presente de despedida especial: um quadro reunindo notas de agradecimento de cada um dos membros da equipe, no qual mencionavam especificamente como o trabalho dela influenciou na vida deles e na própria empresa, a seguir alguns exemplos:
- Ela ajudou a mudar a cultura da empresa, especialmente na percepção sobre as mães que trabalham, mostrando um caminho que pensavam não ser sustentável: ter uma mãe trabalhando full-time em uma indústria predominantemente masculina.
- Contribuiu no empoderamento das mulheres, mostrando que sim é possível ser líder sendo mulher, impulsionadas pelas qualidades que as diferenciam.
Ela apresenta como o tempo investido na pausa maternidade é bom para o futuro dos filhos e também para os negócios.
Quais são os estereótipos sobre a mãe que sai do mercado laboral para dedicar-se aos filhos?
- Que não são motivadas
- Que não tem capacidade de execução
- Não tem ambição profissional
Após uma vida profissional de sucesso atendendo grandes empresas como Nike, Microsoft, HP, ela decide sair no mercado laboral e se dedicar plenamente a maternidade.
Mas, logo de um tempo, ela sentiu falta da sua carreira e queria voltar.
E ao mesmo tempo, queria ser o exemplo para suas filhas de que poderiam ser o que elas quisessem, motivá-las a correr atrás da carreira que desejassem e mostrar que é possível conciliar carreira e família.
Ela apresenta dados sobre a realidade das mulheres nos Estados Unidos, uma realidade que não é tão diferente da nossa:
A realidade mostra que 80% das mulheres são mães até os 40 anos.
E 71% das mães trabalham fora de casa, e cada vez mais são a principal fonte de renda da família.
Mesmo assim, grande parte das mulheres saem do mercado após os filhos e durante o bom tempo: 1 em cada 3 passam em média 3 anos “em casa” cuidando dos filhos.
Ela compartilha como vivências familiares fortaleceram habilidades que a tornam mais valiosa no mercado de trabalho.
Habilidades que para a mãe que está em casa, são exercitadas 24hs por dia e 7dias por semana.
Entre as habilidades (soft-skills) destacadas, menciona:
- Ser resolutiva
- Comunicar assertivamente
- Ser empoderada
- Empatia
- Compartilhar visão
- Inspirar
- Planejamento do tempo
- Organização
- Flexibilidade
- Relacionamento inter-pessoal
Adicionalmente, relata como a maternidade mudou sua perspectiva em relação a sua relevância e ambição e seu impacto para motivar mulheres e demonstrar que é possível continuar competitiva mesmo cuidado dos filhos.
A maternidade a tornou uma funcionária melhor, uma gestora mais eficiente e principalmente uma líder.
Para finalizar, ela compartilha dois estudos realizados pelo Google sobre habilidades que definem gestores de sucesso e características de equipes eficientes.
Identificaram os 8 comportamentos chave para gestores de sucesso, sendo eles, os mais importantes os seguintes soft-skills:
- Empatia
- Comunicação
- Empoderamento
- Bem-estar
Parecem familiares?
Sim, todos exercitados durante a maternidade.
Ao estudar as características de equipes altamente eficientes, identificaram que:
Bem-estar psicológico
É o fator mais importante.
Isto descreve um clima organizacional que transmite confiança e respeito mutuo permitindo assumir riscos, sem se sentir julgado.
Somado a: Estrutura e claridade, Propósito, Impacto
Este perfil de equipes, são:
- mais leais a empresa, contam com índices de retenção maior
- mais propensos a aceitar diversidade de opiniões
- trazem mais receita
Como isto afeta as mães que estão “em casa”?
O que as mães que ficam em casa fazem durante o dia?
Não é garantir o clima de bem-estar psicológico, oferecer estrutura e claridade para seus filhos, ajudar a interpretar o mundo, encontrar significados e caminhos para se diferenciar?
As habilidades chave para o sucesso na gestão e para equipes altamente eficientes são aqueles que as mães exercitam diariamente.
Ser mãe é acordar todos os dias pensando em como o trabalho que vou fazer hoje vai ter o maior impacto em tornar meus filhos os melhores seres humanos. Como encorajar bons comportamentos e motivá-los para que se sintam confiantes para assumir riscos e tomarem decisões inteligentes na vida.
Porém, a verdade é que existe uma penalização da maternidade no salário da mulher que passa pela pausa maternidade. E é difícil de recuperar.
De acordo a um estudo da Universidade de Massachusetts, esta penalização é de 4% por filho.
Ao mesmo tempo, para o homem, o salário, de fato aumenta (Bônus Paternidade) no mínimo 6%.
A Universidade de Massachusetts, demonstrou que empregadores valorizam mais os pais, desfavorecendo as mães.
Entre 35 e 40 anos, é faixa etária na qual os profissionais alcançam o maior desempenho e maior remuneração e é o período mais atravessado pela maternidade para a maioria das mulheres.
E voltar é uma batalha.
90% das mulheres que saíram do mercado para cuidar dos filhos desejam voltar, porém, menos da metade consegue retornar em posições full-time que atendam suas expectativas.
As pessoas pensam que quem estendeu a pausa maternidade escolheu abandonar a carreira. Mas, na verdade, é um período de desenvolvimento de habilidades que tornam a mulher mais valiosa no mercado de trabalho, segundo o estudo do Google.
O cuidado dos filhos ensinam sobre compaixão, motivação para enfrentar adversidades, e como se posicionar.
Estar presente na rotina dos filhos nos permite também “re-calibrar” o que a próxima geração de homens pensa sobre o que é normal e as oportunidades para fazer as maiores diferenças no futuro da mulher.
Começa aqui, com nosso exemplo e com nossos filhos.
Contrate mais mães e impulsione os resultados da sua empresa.
Sobre a Martha Ivester: ela trabalhou para algumas das marcas líderes mundiais em tecnologia, entretenimento e esportes, incluindo Google, a Creative Artists Agency (CAA), a Nike, a Microsoft e muito mais. Depois de uma década como mãe e dona de casa, Martha voltou a trabalhar na indústria da música antes de ingressar no Google em 2015.
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